Poemas...

PREGUIÇA
A preguiça é a mãe do progresso. 
Se o homem não tivesse preguiça de caminhar, 
não teria inventado a roda.

DA OBSERVAÇÃO
Não te irrites, por mais que te fizerem
Estuda, a frio, o coração alheio.
Farás, assim, do mal que eles te querem,
Teu mais amável e sutil recreio.

DOS MILAGRES
O milagre não é dar vida ao corpo extinto,
Ou luz ao cego, ou eloquência ao mudo...
Nem mudar água pura em vinho tinto...
Milagre é acreditarem nisso tudo!

Salve 30 de julho 1906!

O Deixador

"Eu tenho mania de deixar tudo para depois...
Depois a contagem das cartas a responder...
Depois a arrumação das coisas...
Depois, Adalgisa...Ah,
Me lembrar mais uma vez de romper definitivamente com Adalgisa!
Depois, tanta, tanta coisa...
Depois o testamento as últimas vontades a morte.
Só porque vai sempre deixando tudo para depois
É que Deus é eterno
E o mundo incompleto
Inquieto...
Só é verdadeiramente vida a que tem um inquieto depois!"



Baú de Espantos


Ventura

"Quantas vezes a gente, em busca da ventura,
Procede tal e qual o avozinho infeliz:
Em vão, por toda parte, os óculos procura
Tendo-os na ponta do nariz!"



666

A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas: há tempo…
Quando se vê, já é 6ª feira…
Quando se vê, passaram 60 anos…

Agora, é tarde demais para ser reprovado…
E se me dessem – um dia – uma outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio
seguia sempre, sempre em frente…

E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.

(Esconderijos do Tempo, 2005, p. 479)

Menino doente

Na minha rua há um menininho doente.
Enquanto os outros partem para a escola,
Junto à janela, sonhadoramente, 
Ele ouve o sapateiro bater sola.

Ouve também o carpinteiro, em frente, 
Que uma canção napolitana engrola.
E pouco a pouco, gradativamente,
O sofrimento que ele tem se evola. . .

Mas nesta rua há um operário triste: 
Não canta nada na manhã sonora
E o menino nem sonha que ele existe.

Ele trabalha silenciosamente. . . 
E está compondo este soneto agora,
Pra alminha boa do menino doente. . .

(A Rua dos Cataventos)

Reino da Terra

“Porque o reino do poeta... bem, não me venha dizer que não é deste mundo. Este e o outro mundo, o poeta não os delimita: unifica-os. O reino do poeta é uma espécie de Reino Unido do Céu e da Terra.”

Ah, os relógios!

Amigos, não consultem os relógios
quando um dia eu me for de vossas vidas
em seus fúteis problemas tão perdidas
que até parecem mais uns necrológios…

Porque o tempo é uma invenção da morte:
não o conhece a vida – a verdadeira -
em que basta um momento de poesia
para nos dar a eternidade inteira.

Inteira, sim, porque essa vida eterna
somente por si mesma é dividida:
não cabe, a cada qual, uma porção.

E os anjos entreolham-se espantados
quando alguém – ao voltar a si da vida -
acaso lhes indaga que horas são…

Mario Quintana
(poema do livro A Cor do Invisível. 2a. edição. São Paulo: Globo, 2005. p.96.)

O berço e o terremoto

"Os versos, em geral, são versos de embalar, como eu às vezes os tenho feito, não sei se por simples complacência… ou pura piedade. Contudo, os verdadeiros versos não são para embalar – mas para abalar. Mesmo a mais simples canção, quando a canta um García Lorca, desperta-te a alma para um mundo de espanto"

(Poesia Completa –  p. 334)

Problemas

"O pior dos problemas da gente é que ninguém tem nada com isso"


Passado

"O passado não reconhece o seu lugar: esta sempre presente"


Velhas anedotas

"O grande consolo das velhas anedotas são os recém-nascidos..."


Chatos no céu

"No céu é sempre domingo.
E a gente não tem outra coisa a fazer senão ouvir os chatos.
E lá é ainda pior que aqui, 
pois se trata dos chatos de todas as épocas do mundo."



Bobagens

"Às vezes a gente pensa que está dizendo bobagem e está fazendo poesia"

(Porta Giratória p. 828)


Padres...

"Esses padres conhecem mais pecados do que a gente..."


Milagres

"O milagre não é dar vida ao corpo extinto,
Ou luz ao cego, ou eloqüência ao mudo...
Nem mudar água pura em vinho tinto...
Milagre é acreditarem nisso tudo!"



Não te irrites

"Não te irrites, por mais que te fizerem...
Estuda, a frio, o coração alheio.
Farás, assim, do mal que eles te querem,
Teu mais amável e sutil recreio..."


Autodidata


"Autodidata é um ignorante por conta própria"

O perdão


“A indulgencia é a maneira mais polida de desprezar alguém.”

Extraterrestres


“ Um dos motivos que me fazem acreditar na nossa origem extraterrestre 
é que o homem é o único animal que aprecia olhar os incêndios”.

Sobre os Chatos:


“ Os chatos se dividem em duas espécies:
Os chatos propriamente dito e os amigos,
que são os nossos chatos prediletos.”

Livro Infantil sobre o gato Quintana

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